Lodo de esgoto e irrigação frequente aumentam em 37,5% a produção de milho para silagem

Publicado no Código Científico em

O uso de lodo de esgoto estabilizado, combinado com diferentes frequências de irrigação, pode aumentar a produção de milho para silagem e melhorar o aproveitamento da água?

Este conteúdo foi elaborado com base no artigo científico “Improving fertility in reduced-tilled soil with sewage sludge and frequent irrigation enhances maize silage yield and water productivity”, publicado na revista Bragantia em 03/11/2025.

Conclusão principal

A combinação de 90 toneladas por hectare de lodo de esgoto estabilizado e irrigação frequente produziu 130,5 toneladas de biomassa fresca por hectare, 37,5% acima do tratamento sem lodo sob o mesmo regime de irrigação. A produtividade da água também foi maior nessa combinação. O resultado vem de um experimento de campo realizado durante dois anos na Turquia, com preparo reduzido do solo. O lodo utilizado era estabilizado, livre de patógenos e atendia aos limites aceitáveis de metais pesados.
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Principais resultados e informações do estudo em resumo

  • A maior produção foi de 130,5 t/ha de biomassa fresca, com 90 t/ha de lodo e irrigação frequente.
  • A produtividade da água chegou a 30,3 kg/m³ e a da água de irrigação a 40,3 kg/m³.
  • Doses maiores de lodo elevaram os teores de matéria orgânica e nutrientes do solo.
  • A irrigação frequente favoreceu o aproveitamento de nitrogênio e o desenvolvimento das plantas.
  • Os resultados se referem a um experimento de dois anos, em condições específicas de solo e clima.
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O experimento avaliou lodo de esgoto e manejo da irrigação no milho para silagem

A pesquisa investigou como diferentes quantidades de lodo de esgoto estabilizado e três estratégias de irrigação influenciam a fertilidade do solo, o crescimento do milho para silagem e a quantidade de biomassa produzida por unidade de água. O cultivo foi realizado com preparo reduzido do solo, em Erzurum, no leste da Turquia, durante as safras de 2021 e 2022.

Os pesquisadores compararam aplicações de 0, 30, 60 e 90 toneladas de lodo por hectare. O tratamento sem lodo recebeu fertilização mineral, funcionando como referência para avaliar as demais doses. A irrigação foi programada de acordo com a demanda de água da cultura e a precipitação efetiva.

Além da produção, foram examinados nutrientes do solo e das plantas, características de crescimento, clorofila, funcionamento dos estômatos, conteúdo de água nas folhas e indicadores de danos às membranas celulares. O objetivo era compreender tanto o resultado produtivo quanto os processos associados à resposta das plantas.
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Dois anos de campo compararam quatro doses de lodo e três regimes de irrigação

O experimento foi conduzido no centro de pesquisa agrícola da Universidade Atatürk, em Erzurum, a 1.780 metros de altitude. Foram utilizadas 36 parcelas de 25,2 m², com três repetições para cada combinação de dose de lodo e regime de irrigação. O lodo foi incorporado ao solo em setembro de 2020, antes das duas safras avaliadas, e apresentava 29,9% de matéria seca.

A irrigação por gotejamento utilizou água subterrânea. Após a fase inicial de quatro a seis folhas, os tratamentos eram irrigados quando a diferença acumulada entre a evapotranspiração estimada da cultura e a precipitação efetiva atingia aproximadamente 25 mm (W1), 50 mm (W2) ou 75 mm (W3). Em cada irrigação, a umidade era ajustada em relação à capacidade de campo.

Os pesquisadores coletaram amostras de solo, mediram características das plantas e determinaram a produção de biomassa fresca. A produtividade da água foi calculada pela relação entre produção e evapotranspiração real; a produtividade da água de irrigação utilizou apenas o volume aplicado. As médias foram comparadas estatisticamente, e correlações foram usadas para examinar relações entre os indicadores.
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A maior dose de lodo e a irrigação frequente produziram mais biomassa por hectare

O tratamento com 90 t/ha de lodo e irrigação W1 alcançou a maior produção de biomassa fresca: 130,5 t/ha na média dos dois anos. Esse valor foi 37,5% superior ao tratamento sem lodo sob W1. A mesma combinação apresentou produtividade da água de 30,3 kg/m³ e produtividade da água de irrigação de 40,3 kg/m³, com melhoria de 37,1% em relação ao controle W1, conforme relatado pelos autores.

Considerando as médias das doses, as aplicações de 30, 60 e 90 t/ha elevaram a produção de biomassa fresca em 17,9%, 26,5% e 42,2%, respectivamente, em comparação ao tratamento sem lodo. A irrigação W1, por sua vez, produziu 13% mais biomassa que W2 e 28,2% mais que W3.

O solo também respondeu às aplicações. Na maior dose, o nitrogênio total foi 81,3% superior ao controle, enquanto os teores de fósforo e potássio disponíveis aumentaram 29,8% e 12,2%. O pH médio passou de 7,60 no controle para 7,53 na maior dose, e a condutividade elétrica permaneceu baixa, apesar do aumento observado.

As plantas apresentaram maior crescimento, teores de nutrientes e indicadores de atividade fisiológica com as doses mais elevadas e a irrigação frequente. Os autores relacionam a resposta à maior disponibilidade de nutrientes, especialmente nitrogênio, e ao efeito da umidade sobre a mineralização da matéria orgânica.
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O manejo conjunto de nutrientes e água pode elevar a eficiência produtiva

O resultado indica que o aproveitamento agrícola do lodo estabilizado depende não apenas da quantidade aplicada, mas também do manejo da água. Nas condições do experimento, a irrigação mais frequente favoreceu o crescimento do milho e a utilização dos nutrientes disponibilizados pelo material orgânico.

Para interpretar a eficiência hídrica, é importante distinguir os dois indicadores utilizados. A produtividade da água considera a biomassa produzida em relação à evapotranspiração real da cultura, enquanto a produtividade da água de irrigação considera o volume de água aplicado. Assim, um valor maior representa mais biomassa por unidade de água no indicador correspondente, e não necessariamente menor consumo total de água.

O estudo oferece evidência para avaliar o uso de biossólidos como fonte de nutrientes em sistemas de milho para silagem. A aplicação prática exige considerar as características do lodo e do solo, pois o experimento utilizou material estabilizado e com qualidade controlada.
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Os resultados são mais relevantes para o manejo de milho irrigado e biossólidos

A pesquisa é especialmente útil para profissionais que avaliam a fertilização de milho destinado à silagem, o aproveitamento agrícola de lodo de esgoto tratado e o planejamento da irrigação por gotejamento. Também interessa a pesquisadores de fertilidade do solo e produtividade da água que precisam compreender a interação entre matéria orgânica, disponibilidade de nutrientes e umidade.

A evidência foi obtida em uma região de clima continental, com verões relativamente quentes e secos, utilizando uma variedade específica de milho e preparo reduzido do solo. Os autores destacam que os resultados precisam ser apoiados por pesquisas em outras condições climáticas e em diferentes sistemas de preparo. Portanto, a dose de maior desempenho no experimento não deve ser interpretada como recomendação universal.
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A pesquisa conecta a fertilidade do solo à produtividade da água

A contribuição do estudo está em avaliar conjuntamente doses de lodo estabilizado e estratégias de irrigação definidas por dados climáticos, em vez de observar apenas a resposta da produção à fertilização. O experimento também acompanhou indicadores químicos do solo, nutrição das plantas e características fisiológicas ao longo de duas safras.

Essa abordagem permitiu relacionar o aumento da biomassa com mudanças na disponibilidade de nutrientes e no funcionamento das plantas. Os resultados mostram que o tratamento de maior produção também apresentou os maiores indicadores de produtividade da água, oferecendo uma visão integrada do desempenho agronômico sob preparo reduzido.
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A resposta do milho depende da interação entre fertilidade e umidade

A principal lição é que aumentar a disponibilidade de nutrientes pode produzir resultados diferentes conforme a forma como a água é manejada. No experimento, a maior dose de lodo elevou a fertilidade do solo, enquanto a irrigação frequente contribuiu para que as plantas aproveitassem melhor esse ambiente de crescimento. A combinação se refletiu em maior biomassa e produtividade da água.

Os resultados também mostram que manter mais nutrientes no solo não é o mesmo que obter a maior produção. O regime menos frequente apresentou maiores teores residuais de nitrogênio total e nitrato em algumas comparações, enquanto o regime mais frequente favoreceu o desempenho produtivo. Os autores interpretam essa diferença como parte da dinâmica de mineralização e absorção de nutrientes.

A aplicação dessas conclusões deve permanecer vinculada às condições avaliadas, especialmente à qualidade do biossólido, ao tipo de solo, ao clima e ao sistema de cultivo.
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O estudo oferece evidência para produzir mais biomassa por unidade de água

A relevância está em demonstrar, com medições de campo, que o manejo de resíduos orgânicos tratados pode ser avaliado também pela eficiência de uso da água, e não apenas pelo aumento da produção. O tratamento de maior desempenho apresentou ganhos simultâneos de biomassa e produtividade hídrica em relação ao controle sob irrigação frequente.

A pesquisa ainda mostra como alterações na fertilidade se relacionam com a nutrição e o desenvolvimento do milho. Esses resultados podem orientar novas avaliações agronômicas e comparações de manejo, embora não incluam uma análise econômica dos custos de aplicação do lodo ou da irrigação.
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Perguntas que este estudo ajuda a responder

Qual dose de lodo de esgoto produziu mais milho para silagem?

A dose de 90 t/ha apresentou a maior produção média de biomassa fresca entre as quatro doses testadas. Considerando os três regimes de irrigação, ela produziu 42,2% mais que o tratamento sem lodo. A combinação específica de 90 t/ha com irrigação W1 alcançou 130,5 t/ha, o maior valor observado. Essa dose foi aplicada uma vez antes das safras avaliadas, com lodo estabilizado que atendia aos critérios de qualidade descritos no experimento.
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Irrigar o milho com mais frequência aumenta a produtividade da água?

Sim, nas condições do experimento, o regime mais frequente apresentou a maior produtividade da água. Em média, W1 superou W2 em 15% e W3 em 32,5% nesse indicador. Para a produtividade da água de irrigação, as diferenças foram de 7,4% e 14,1%, respectivamente. W1 era acionado quando o déficit acumulado estimado atingia aproximadamente 25 mm, enquanto W2 e W3 utilizavam limites de 50 e 75 mm. Os resultados representam maior produção por unidade de água, não uma demonstração de que o regime frequente utilizou menos água no total.
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O lodo de esgoto aumentou a salinidade do solo?

A condutividade elétrica do solo aumentou com as doses de lodo, mas permaneceu em níveis baixos durante o experimento. Na média dos dois anos, o tratamento sem lodo apresentou 0,164 dS/m, enquanto a dose de 90 t/ha chegou a 0,218 dS/m, um aumento de 32,9%. Os autores atribuem a elevação à composição do material aplicado. O resultado se refere ao lodo estabilizado utilizado e às condições de solo e irrigação avaliadas, não permitindo afirmar que qualquer lodo produzirá a mesma resposta.
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O lodo de esgoto substituiu a adubação mineral no experimento?

Os tratamentos com lodo foram comparados a um controle que recebeu fertilização mineral. Esse controle utilizou 100 kg/ha de ureia e 150 kg/ha de superfosfato triplo, definidos com base na análise do solo. As demais parcelas receberam as doses de lodo estabilizado, que fornecia matéria orgânica e nutrientes. A comparação mostrou maior produção nas doses de lodo, mas não constitui uma avaliação econômica de substituição de fertilizantes nem estabelece uma equivalência universal entre as quantidades de lodo e adubo mineral.
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O estudo avaliou se o lodo de esgoto era seguro para uso agrícola?

O experimento utilizou lodo estabilizado proveniente de uma estação municipal de tratamento de esgoto, descrito pelos pesquisadores como livre de patógenos e com níveis de metais pesados dentro dos limites aceitáveis. O artigo também reconhece que lodos de origem urbana e, especialmente, industrial podem apresentar concentrações elevadas de metais pesados. Portanto, os resultados de produção e fertilidade foram obtidos com um material de qualidade controlada e não demonstram que todo lodo de esgoto seja adequado para aplicação agrícola.
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Sobre o estudo original

Título científico
Improving fertility in reduced-tilled soil with sewage sludge and frequent irrigation enhances maize silage yield and water productivity
Autores
Mehmet Altun (Atatürk University); Ustun Sahin (Atatürk University)
Revista
Bragantia
Publicado em
03/11/2025
DOI
10.1590/1678-4499.20250035

Fonte e atribuição

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