Adubação orgânica no milho alcança 17,7 t/ha com feijão macassar e composto orgânico

Publicado no Código Científico em

A combinação de adubação verde e composto orgânico pode manter a produtividade do milho sem depender da adubação química?

Este conteúdo foi elaborado com base no artigo científico “Comportamento agronômico do milho cultivado sob adubação verde e composto orgânico”, publicado na revista Brazilian Journal of Biology em 27/10/2025.

Conclusão principal

A adubação orgânica no milho apresentou produtividade comparável à adubação mineral no experimento realizado em Garanhuns, Pernambuco. A maior produtividade entre os tratamentos orgânicos ocorreu com feijão macassar como adubo verde e 40 t/ha de composto orgânico: 17,7 t/ha, contra 14,1 t/ha quando a mesma leguminosa foi utilizada sem composto. Os autores concluíram que a combinação de adubação verde e composto orgânico pode substituir a fertilização química sem comprometer a produtividade nas condições avaliadas.

Principais resultados e informações do estudo em resumo

  • Feijão macassar com 40 t/ha de composto orgânico alcançou 17,7 t/ha de milho
  • sem composto, o mesmo adubo verde produziu 14,1 t/ha
  • a produtividade com adubação mineral foi de 17,8 t/ha
  • matéria orgânica e carbono orgânico total do solo não diferiram significativamente entre os tratamentos orgânicos e o mineral

O experimento comparou três adubos verdes e diferentes doses de composto orgânico

A pesquisa investigou se a adubação orgânica no milho, combinando leguminosas usadas como adubo verde com composto orgânico, poderia proporcionar bom desempenho agronômico e substituir a fertilização mineral sem perda de produtividade. Foram avaliadas três leguminosas — crotalária, feijão guandu anão e feijão macassar — combinadas com doses de 0, 20 e 40 t/ha de composto orgânico. Um tratamento adicional recebeu adubação mineral e serviu como referência. Além da produtividade de grãos, os pesquisadores avaliaram características das plantas e das espigas, teores de clorofila, nitrogênio e proteína bruta nas folhas, matéria seca e indicadores do solo. A investigação também verificou se os diferentes manejos alteravam os teores de matéria orgânica e carbono orgânico total do solo.

O milho foi cultivado em 30 unidades experimentais com diferentes combinações de adubação

O experimento de campo foi conduzido em Garanhuns, Pernambuco, durante a safra de 2014. O delineamento foi em blocos casualizados, com parcelas subdivididas e três repetições, totalizando 30 unidades experimentais de 12 m² cada. Crotalária, feijão macassar e feijão guandu anão foram utilizados como adubos verdes e combinados com 0, 20 ou 40 t/ha de composto orgânico. Também houve um tratamento com fertilização mineral.

As leguminosas foram cortadas no florescimento pleno e incorporadas ao solo. Dez dias depois, o milho da cultivar PRE 32D10 foi semeado, com população final de 62.500 plantas por hectare. Durante o desenvolvimento e na colheita, foram medidos diversos indicadores das plantas, das espigas e da produtividade, além da matéria orgânica e do carbono orgânico total do solo. Os resultados foram submetidos à análise de variância, testes estatísticos de comparação de médias e análise de componentes principais.

Feijão macassar com 40 t/ha de composto atingiu a maior produtividade entre os tratamentos orgânicos

O resultado de maior destaque foi obtido com feijão macassar associado a 40 t/ha de composto orgânico: a produtividade chegou a 17,7 t/ha. Com a mesma leguminosa, mas sem aplicação de composto, foram produzidas 14,1 t/ha. O artigo informa que o tratamento de maior produtividade representou aumento superior a 20% em relação ao tratamento sem composto.

A adubação mineral produziu 17,8 t/ha. Na comparação estatística com esse tratamento, a produtividade foi significativamente menor apenas quando o feijão macassar foi utilizado sem composto orgânico. Os demais tratamentos orgânicos avaliados não apresentaram diferença estatisticamente significativa de produtividade em relação à adubação mineral.

Outras combinações também alcançaram produtividades elevadas. O feijão guandu anão associado a 20 t/ha de composto produziu 17,5 t/ha, enquanto o feijão macassar com 20 t/ha alcançou 16,3 t/ha.

Os tratamentos também afetaram algumas características agronômicas, como área foliar, número de espigas por planta e diâmetro da espiga. Entretanto, os teores de matéria orgânica e carbono orgânico total do solo não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os tratamentos orgânicos e a fertilização mineral.

A fertilização orgânica manteve a produtividade do milho nas condições avaliadas

Os resultados indicam que adubos verdes associados ao composto orgânico podem fornecer uma alternativa à fertilização mineral para o milho nas condições do experimento. A adubação orgânica no milho não significou necessariamente menor produtividade: várias combinações não diferiram estatisticamente do tratamento mineral, e o melhor resultado orgânico, de 17,7 t/ha, ficou próximo dos 17,8 t/ha registrados com fertilização mineral.

O desempenho, porém, dependeu da combinação utilizada. O feijão macassar apresentou a menor produtividade quando utilizado sem composto, mas atingiu a maior produtividade entre os tratamentos orgânicos quando associado a 40 t/ha. Isso mostra que os resultados observados não podem ser atribuídos apenas à escolha da leguminosa, pois a dose de composto também fez parte do manejo avaliado.

Os resultados são diretamente aplicáveis às condições agronômicas testadas em Garanhuns

Os achados são especialmente relevantes para sistemas de produção de milho que consideram o uso combinado de leguminosas como adubo verde e composto orgânico. O experimento fornece dados específicos sobre crotalária, feijão guandu anão e feijão macassar associados a doses de até 40 t/ha de composto.

A interpretação deve considerar as condições em que os resultados foram obtidos: um experimento de campo realizado em Garanhuns, Pernambuco, com uma cultivar específica de milho e condições determinadas de solo, clima e manejo. O artigo sustenta a substituição da fertilização química pela combinação de adubação verde e composto orgânico nas condições avaliadas, sem estabelecer que qualquer manejo orgânico produzirá o mesmo resultado em outras situações.

O diferencial foi avaliar conjuntamente leguminosas, doses de composto e resposta do milho

A contribuição do estudo está na avaliação conjunta da adubação verde e de diferentes doses de matéria orgânica. Os autores apontam que pesquisas anteriores já haviam examinado separadamente a fertilização orgânica e o uso de culturas de cobertura no milho, mas havia menor conhecimento sobre os efeitos combinados dessas práticas no desempenho agronômico da cultura e nos teores de matéria orgânica e carbono orgânico total do solo.

Ao testar três espécies de leguminosas em três doses de composto e compará-las também com a fertilização mineral, o experimento mostrou que a resposta do milho varia conforme a combinação utilizada. O caso do feijão macassar foi particularmente claro: sua produtividade passou de 14,1 t/ha sem composto para 17,7 t/ha com 40 t/ha.

A combinação do adubo verde com o composto importa para o resultado final

A principal lição é que o desempenho da fertilização orgânica não depende apenas de substituir um fertilizante por outro. A combinação entre a espécie utilizada como adubo verde e a quantidade de composto orgânico esteve relacionada a diferenças importantes no desempenho do milho.

Isso aparece claramente no feijão macassar: sem composto, esse tratamento apresentou 14,1 t/ha e foi o único com produtividade estatisticamente inferior à fertilização mineral na comparação apresentada pelo estudo. Com 40 t/ha de composto, porém, a produtividade chegou a 17,7 t/ha, o maior valor entre os tratamentos orgânicos. Assim, os resultados sustentam a conclusão dos autores de que adubação verde combinada com composto orgânico pode substituir a fertilização química sem prejudicar a produtividade nas condições experimentais estudadas.

A produtividade elevada não veio acompanhada de mudança detectável na matéria orgânica do solo

O estudo mostra que a adubação orgânica no milho pode alcançar produtividade semelhante à fertilização mineral quando o adubo verde é associado ao composto orgânico de forma adequada. Isso é relevante porque a pesquisa avaliou simultaneamente a resposta produtiva da cultura e indicadores do solo.

Apesar das diferenças observadas no desempenho agronômico, os manejos com adubação verde e composto não provocaram diferenças estatisticamente significativas nos teores de matéria orgânica e carbono orgânico total do solo em relação à fertilização mineral. Portanto, o principal resultado observado no experimento está ligado à manutenção e, em algumas combinações, ao elevado desempenho produtivo do milho, e não a uma alteração demonstrada nesses dois indicadores do solo.

Perguntas que este estudo ajuda a responder

Qual combinação produziu mais milho no experimento?

Entre os tratamentos orgânicos, a maior produtividade ocorreu com feijão macassar usado como adubo verde e aplicação de 40 t/ha de composto orgânico. Essa combinação produziu 17,7 t/ha de grãos. Para comparação, o mesmo feijão macassar sem composto produziu 14,1 t/ha. O tratamento de referência com fertilização mineral alcançou 17,8 t/ha.

A adubação orgânica produziu menos milho que a adubação química?

Não em todas as combinações avaliadas. Quando os tratamentos orgânicos foram comparados estatisticamente com a fertilização mineral, apenas o tratamento com feijão macassar sem composto apresentou produtividade significativamente menor. A fertilização mineral produziu 17,8 t/ha, enquanto algumas combinações orgânicas chegaram a 17,7 t/ha com feijão macassar e 40 t/ha de composto e a 17,5 t/ha com feijão guandu anão e 20 t/ha.

Quanto o composto orgânico aumentou a produtividade com feijão macassar?

Com feijão macassar, a produtividade foi de 14,1 t/ha sem composto orgânico e chegou a 17,7 t/ha com a aplicação de 40 t/ha de composto. O artigo descreve esse resultado como um aumento superior a 20%. A dose intermediária de 20 t/ha, também associada ao feijão macassar, apresentou produtividade de 16,3 t/ha.

A adubação orgânica aumentou a matéria orgânica do solo?

O experimento não encontrou diferença estatisticamente significativa nos teores de matéria orgânica e carbono orgânico total do solo entre os tratamentos orgânicos e a fertilização mineral. Portanto, embora algumas combinações de adubação verde e composto tenham apresentado elevada produtividade do milho, o estudo não demonstrou uma mudança significativa nesses dois indicadores do solo nas condições e no período avaliados.

Quais plantas foram usadas como adubo verde?

Foram utilizadas três leguminosas: crotalária, feijão guandu anão e feijão macassar. Elas foram cultivadas antes do milho, cortadas no florescimento pleno e incorporadas ao solo. Cada espécie foi combinada com três níveis de composto orgânico: nenhuma aplicação, 20 t/ha ou 40 t/ha. Dessa forma, os pesquisadores puderam comparar como diferentes combinações de adubo verde e composto afetavam o desenvolvimento e a produtividade do milho.

Sobre o estudo original

Título científico
Comportamento agronômico do milho cultivado sob adubação verde e composto orgânico
Autores
M. F. Moura (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco); B. M. Souza (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco); M. F. Andrade (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco); T. S. Siqueira (Universidade Federal Rural de Pernambuco); J. P. F. Oliveira (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco); J. B. Simplício (Universidade Federal Rural de Pernambuco); J. N. Tabosa (Instituto Agronômico de Pernambuco); A. H. Silva (Universidade Federal do Agreste de Pernambuco); J. G. E. França (Universidade Federal Rural de Pernambuco)
Revista
Brazilian Journal of Biology
Publicado em
27/10/2025
DOI
10.1590/1519-6984.297563

Fonte e atribuição

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