Esterco de galinha na mandioca elevou produtividade comercial para 43 t/ha

Publicado no Código Científico em

Quanto esterco de galinha é necessário para aumentar a produtividade da mandioca?

Este conteúdo foi elaborado com base no artigo científico “Effects of limestone and organic fertilizer on cassava yield and on chemical and physical soil properties”, publicado na revista Revista Ceres em 02/03/2020.

Conclusão principal

O esterco de galinha na mandioca aumentou a produtividade total e comercial até aproximadamente 8 t/ha de adubo. Nessa dose, as produtividades estimadas atingiram 45 t/ha de raízes totais e 43 t/ha de raízes comerciais. Já a aplicação de 2,5 t/ha de calcário não aumentou a produtividade nem alterou as características das raízes nas condições avaliadas.

Principais resultados e informações do estudo em resumo

  • O experimento foi realizado em Presidente Prudente-SP
  • foram testadas doses de 0, 4, 8 e 12 t/ha de esterco de galinha com e sem 2,5 t/ha de calcário
  • a produtividade respondeu de forma quadrática ao esterco
  • aproximadamente 8 t/ha proporcionaram 45 t/ha de produtividade total e 43 t/ha comercial
  • o calcário não alterou a produtividade
  • o comprimento das raízes diminuiu de 26,8 para 22,7 cm com o aumento do esterco
  • o diâmetro aumentou de 4,7 para 4,9 cm
  • a massa fresca média das raízes permaneceu em 410,4 g
  • o esterco aumentou fósforo e potássio no solo
  • o calcário aumentou pH, cálcio e magnésio
  • densidade e porosidade total do solo não foram alteradas

O experimento combinou quatro doses de esterco com presença ou ausência de calcário

A pesquisa avaliou o esterco de galinha na mandioca associado ou não à calagem em Presidente Prudente, São Paulo. O experimento foi instalado em uma área de transição entre Neossolo e Argissolo.

Foram utilizadas duas doses de calcário, 0 e 2,5 t/ha, combinadas com quatro doses de esterco de galinha: 0, 4, 8 e 12 t/ha. O delineamento foi em parcelas subdivididas, com oito repetições.

O solo apresentava inicialmente pH de 4,8, matéria orgânica de 11,1 g/dm³, fósforo de 4,8 mg/dm³, potássio de 2,3 mmolc/dm³ e saturação por bases de 47%.

A cultivar utilizada foi IAC 576-70. O plantio ocorreu em 15 de maio de 2015 e a colheita foi realizada 330 dias depois.

A produtividade máxima foi estimada próxima de 8 t/ha de esterco

As produtividades total e comercial apresentaram resposta quadrática à aplicação de esterco de galinha.

O ponto de máxima produção ficou próximo da dose de 8 t/ha. Nessa condição, a produtividade total estimada foi de aproximadamente 45 t/ha e a produtividade comercial chegou a 43 t/ha.

O comportamento quadrático indica que aumentar continuamente a quantidade de esterco não significa obter produtividade cada vez maior. Após o ponto de máxima resposta, doses superiores não proporcionaram ganhos adicionais e a curva estimada passou a indicar redução.

Os autores discutem que quantidades excessivas de fertilizantes orgânicos podem provocar desequilíbrios nutricionais. Assim, nas condições avaliadas, aproximadamente 8 t/ha representaram o ponto de maior resposta produtiva.

A aplicação de calcário não aumentou a produtividade da mandioca

Não houve diferença entre os tratamentos com e sem 2,5 t/ha de calcário para produtividade total, produtividade comercial, comprimento, diâmetro ou massa fresca individual das raízes.

Considerando os tratamentos com e sem calagem, foram observadas médias de 39,9 t/ha de produtividade total e 35,6 t/ha de produtividade comercial.

O comprimento médio das raízes foi de 24,8 cm, o diâmetro médio de 4,8 cm e a massa fresca individual média de 410,4 g.

Os autores relacionam a ausência de resposta produtiva à tolerância da mandioca à acidez do solo. Esse resultado corresponde às condições específicas do experimento e à dose de calcário utilizada.

O esterco reduziu o comprimento e aumentou o diâmetro das raízes

As características morfológicas das raízes responderam de maneiras diferentes ao aumento das doses de esterco.

O comprimento médio apresentou redução linear. Sem aplicação de esterco, as raízes tinham comprimento estimado de 26,8 cm. Na dose de 12 t/ha, esse valor caiu para 22,7 cm.

O diâmetro apresentou comportamento contrário, aumentando de aproximadamente 4,7 cm sem esterco para 4,9 cm com 12 t/ha.

A massa fresca individual das raízes não foi alterada pelos tratamentos e apresentou média de 410,4 g.

Os autores sugerem que o aumento da produtividade até aproximadamente 8 t/ha de esterco provavelmente ocorreu pelo aumento do número de raízes produzidas, já que a massa fresca média individual permaneceu semelhante.

O esterco elevou fósforo e potássio no solo

A concentração de fósforo aumentou linearmente com as doses de esterco. O valor estimado passou de aproximadamente 5,55 mg/dm³ sem esterco para 18,37 mg/dm³ com 12 t/ha, correspondendo a um aumento de aproximadamente 230%.

O potássio também aumentou linearmente. A concentração estimada passou de aproximadamente 2,23 mmolc/dm³ sem esterco para cerca de 3,00 mmolc/dm³ na maior dose, aumento de aproximadamente 35%.

Segundo os autores, esses resultados indicam que o esterco forneceu fósforo e potássio em quantidades superiores às necessidades da cultura nas doses mais elevadas.

A aplicação de esterco, entretanto, não alterou significativamente o pH do solo durante o período experimental.

A calagem alterou a fertilidade do solo sem aumentar a produção

Embora não tenha aumentado a produtividade da mandioca, a aplicação de calcário modificou diferentes características químicas do solo.

O pH passou de 4,86 sem calcário para 5,46 com sua aplicação. A concentração de cálcio aumentou de 15,3 para 21,9 mmolc/dm³ e a de magnésio passou de 4,3 para 6,0 mmolc/dm³.

A soma de bases aumentou de 22,3 para 30,4 mmolc/dm³, enquanto a saturação por bases passou de 50,8% sem calcário para 64,9% com calagem.

A capacidade de troca catiônica não apresentou diferença significativa e teve média de 45,1 mmolc/dm³. Assim, o calcário melhorou indicadores químicos do solo, mas essas mudanças não se traduziram em aumento da produtividade durante o ciclo avaliado.

Esterco e calcário não alteraram as propriedades físicas avaliadas

Uma das hipóteses do estudo era que a adubação orgânica e a calagem poderiam melhorar propriedades físicas do solo.

Entretanto, não houve alteração significativa da densidade nem da porosidade total em função da aplicação de esterco ou calcário.

A densidade média do solo foi de 1,57 Mg/m³ e a porosidade total permaneceu em aproximadamente 0,40 m³/m³.

Os autores observam que mudanças nas propriedades físicas podem depender do tipo de solo, das doses utilizadas e principalmente da aplicação contínua de matéria orgânica durante períodos mais longos.

A matéria orgânica do solo também não apresentou alteração significativa no experimento, permanecendo em média em 11,83 g/dm³.

Esterco e calcário tiveram funções diferentes no sistema de produção

O experimento mostrou que esterco de galinha e calcário modificaram o sistema de maneiras distintas.

O esterco foi responsável pelo aumento da produtividade da mandioca até aproximadamente 8 t/ha e elevou as concentrações de fósforo e potássio no solo. O calcário, por sua vez, aumentou pH, cálcio, magnésio, soma de bases e saturação por bases, mas não proporcionou aumento significativo da produtividade.

Nenhum dos dois insumos alterou a densidade e a porosidade total do solo no período avaliado.

Os resultados reforçam que uma melhoria nos indicadores químicos do solo não necessariamente produz aumento imediato da produtividade. Nas condições do estudo, a resposta produtiva esteve associada principalmente à aplicação do esterco, enquanto a calagem atuou sobre a correção da acidez e o fornecimento de cálcio e magnésio.

Perguntas que este estudo ajuda a responder

Qual dose de esterco de galinha proporcionou maior produtividade da mandioca?

As curvas de resposta indicaram máxima produtividade próxima de 8 t/ha de esterco de galinha. Nessa dose, foram estimadas aproximadamente 45 t/ha de raízes totais e 43 t/ha de raízes comerciais.

A aplicação de calcário aumentou a produtividade da mandioca?

Não nas condições avaliadas. A aplicação de 2,5 t/ha de calcário não alterou significativamente a produtividade total ou comercial nem comprimento, diâmetro ou massa fresca individual das raízes. Entretanto, aumentou o pH e as concentrações de cálcio e magnésio no solo.

O esterco de galinha aumentou os nutrientes disponíveis no solo?

Sim para fósforo e potássio. O fósforo estimado aumentou de aproximadamente 5,55 para 18,37 mg/dm³ entre 0 e 12 t/ha de esterco, aumento de cerca de 230%. O potássio passou de aproximadamente 2,23 para 3,00 mmolc/dm³, aumento de cerca de 35%.

Aplicar mais de 8 t/ha de esterco continuou aumentando a produtividade?

Não. A resposta produtiva foi quadrática, com ponto máximo próximo de 8 t/ha. Doses superiores não proporcionaram aumento adicional e a curva estimada indicou redução. O artigo discute que quantidades excessivas de fertilizantes orgânicos podem provocar desequilíbrio nutricional.

O esterco melhorou a densidade e a porosidade do solo?

Não durante o período avaliado. Nem o esterco nem o calcário alteraram significativamente a densidade, que apresentou média de 1,57 Mg/m³, ou a porosidade total, de aproximadamente 0,40 m³/m³. Os autores destacam que mudanças físicas podem depender de aplicações contínuas de matéria orgânica durante períodos mais longos.

Sobre o estudo original

Título científico
Effects of limestone and organic fertilizer on cassava yield and on chemical and physical soil properties
Autores
Amarílis Beraldo Rós (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios); Nobuyoshi Narita (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios); Andréia Cristina Silva Hirata (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios); José Eduardo Creste (Universidade do Oeste Paulista)
Revista
Revista Ceres
Publicado em
02/03/2020
DOI
10.1590/0034-737x202067010004

Fonte e atribuição

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