Maracujá orgânico irrigado com maior nível de insumos alcançou 17,4 t/ha no Acre
Irrigação e maior uso de insumos aumentam a produtividade do maracujá em sistema orgânico?
Este conteúdo foi elaborado com base no artigo científico “PRODUTIVIDADE E QUALIDADE DE MARACUJÁ EM CULTIVO ORGANICO COMBINADO COM NIVEIS DE INSUMOS E IRRIGAÇÃO”, publicado na revista Revista Caatinga em 16/04/2021.
O maracujá orgânico apresentou maior produtividade quando níveis elevados de insumos foram associados à irrigação. No experimento realizado em Rio Branco-AC, o nível 3 com irrigação alcançou produtividade total de 17.399,21 kg/ha, enquanto o nível 1 sem irrigação produziu 6.945,26 kg/ha. Entretanto, acidez, relação entre sólidos solúveis e acidez e percentual de frutos Extra não foram alterados significativamente pelos tratamentos.
Principais resultados e informações do estudo em resumo
- O experimento foi realizado entre novembro de 2016 e agosto de 2018 em Rio Branco-AC
- foram comparados três níveis de insumos com presença ou ausência de irrigação
- o nível 3 irrigado alcançou 17.399,21 kg/ha
- o nível 1 sem irrigação produziu 6.945,26 kg/ha
- no segundo ciclo o nível 3 apresentou 108,88 frutos por planta
- os sólidos solúveis variaram de 16,5 a 17,5 °Brix
- níveis 2 e 3 sem irrigação aumentaram os sólidos solúveis
- acidez e relação sólidos solúveis/acidez não diferiram entre os tratamentos
- níveis 1 e 2 sem irrigação aumentaram o percentual de frutos classificados na categoria orgânica
O estudo combinou três níveis de insumos com presença ou ausência de irrigação
A pesquisa avaliou o maracujá orgânico cultivado no Sítio Ecológico Seridó, localizado no Projeto de Assentamento Aquiry, em Rio Branco, Acre. O experimento foi conduzido de novembro de 2016 a agosto de 2018.
Foram testados três níveis de insumos, envolvendo diferentes quantidades de fertilizantes e diferentes frequências de aplicação de defensivos alternativos. Cada nível foi avaliado com e sem irrigação, formando um experimento fatorial 3 × 2 com quatro repetições.
No plantio, os níveis 1, 2 e 3 receberam, respectivamente, 5, 10 e 15 litros de composto orgânico por planta e 500, 1.000 e 1.500 g de calcário.
A adubação de cobertura também aumentou conforme o nível de insumos. Foram aplicados 118, 235 e 353 g de termofosfato por planta e 59,1, 118,2 e 176,4 g de sulfato de potássio por planta, respectivamente.
Maior nível de insumos também significou manejo fitossanitário mais frequente
Além das diferentes doses de fertilizantes, os níveis de insumos representavam diferentes intensidades de manejo fitossanitário.
No segundo ano de cultivo, foram utilizadas calda bordalesa e calda sulfocálcica. No nível 1, as pulverizações eram realizadas a cada 30 dias. No nível 2, o intervalo diminuía para 15 dias. No nível 3, as aplicações eram semanais.
A irrigação foi realizada por sistema localizado, com um emissor por planta. A necessidade de água era determinada pela tensão da água no solo, monitorada diariamente com tensiômetros. Quando o valor alcançava 60 kPa, era realizada irrigação com lâmina bruta de 27,63 mm.
As plantas foram cultivadas no espaçamento de 3 × 3 m. A polinização ocorreu naturalmente pela ação de mamangavas do gênero Xylocopa.
O nível 3 irrigado apresentou a maior produtividade total
A análise conjunta mostrou que a combinação entre irrigação e maior nível de insumos favoreceu a produtividade do maracujazeiro.
O tratamento com nível 3 de insumos associado à irrigação alcançou 17.399,21 kg/ha. Em comparação, o nível 1 sem irrigação apresentou 6.945,26 kg/ha.
A produtividade do tratamento irrigado com nível 3 foi aproximadamente 56,7% superior à média do cultivo sem irrigação utilizada na comparação estatística, que foi de 11.106,37 kg/ha.
A análise por contrastes também mostrou produtividade média de 13.641,08 kg/ha para os tratamentos irrigados, diante de 11.106,37 kg/ha nos tratamentos sem irrigação.
Os autores concluíram que a associação entre níveis elevados de insumos e irrigação aumenta a produtividade estimada do maracujá orgânico.
O maior nível de insumos aumentou o número de frutos no segundo ciclo
No primeiro ciclo produtivo, os níveis de insumos não alteraram significativamente o número de frutos por planta, a massa média dos frutos ou a produtividade.
No segundo ciclo, entretanto, o número de frutos aumentou com a intensidade do manejo. O nível 1 apresentou 67 frutos por planta, o nível 2 atingiu 95,95 e o nível 3 chegou a 108,88 frutos por planta.
A produtividade média do segundo ciclo também aumentou numericamente conforme os níveis de insumos: 8.828,88 kg/ha no nível 1, 11.539,88 kg/ha no nível 2 e 14.495,38 kg/ha no nível 3, embora a produtividade não tenha apresentado diferença significativa nessa análise isolada.
A massa média dos frutos no segundo ciclo foi de aproximadamente 115 g, valor abaixo dos mais de 180 g citados no artigo como preferência para o mercado de frutas frescas.
A irrigação isoladamente não alterou significativamente a produção em cada ciclo
Quando a irrigação foi analisada separadamente dentro de cada ciclo produtivo, não foram observadas diferenças significativas no número de frutos, massa média ou produtividade.
No segundo ciclo, por exemplo, os tratamentos irrigados apresentaram produtividade média de 12.698,75 kg/ha, enquanto aqueles sem irrigação alcançaram 10.544,00 kg/ha, mas essa diferença não foi estatisticamente significativa nessa comparação.
Os autores relacionam esse comportamento às condições ambientais de Rio Branco. Durante períodos de menor temperatura, luminosidade, precipitação e fotoperíodo, a floração e a formação dos frutos diminuíram independentemente da disponibilidade de água.
O maior período de produção ocorreu de dezembro de 2017 a junho de 2018, com pico em fevereiro e março, quando fotoperíodo mais longo coincidiu com elevada disponibilidade natural de água.
Menos irrigação e mais insumos elevaram os sólidos solúveis dos frutos
Os sólidos solúveis apresentaram interação entre irrigação e nível de insumos e variaram de 16,5 a 17,5 °Brix.
Sem irrigação, o nível 1 apresentou 16,5 °Brix, enquanto os níveis 2 e 3 atingiram 17,25 °Brix. Portanto, nas condições sem irrigação, o aumento dos insumos elevou o teor de sólidos solúveis.
Nos tratamentos irrigados, os valores foram de 17,5 °Brix no nível 1 e 16,75 °Brix nos níveis 2 e 3, sem diferença estatística entre os três níveis.
A acidez titulável não foi significativamente alterada pelos tratamentos, apresentando médias de 3,88%, 3,60% e 3,58% nos níveis 1, 2 e 3. A relação entre sólidos solúveis e acidez também não apresentou diferença significativa.
Menores níveis de insumos sem irrigação aumentaram o percentual de frutos na categoria orgânica
Os pesquisadores criaram uma categoria específica denominada “orgânica” para representar frutos com defeitos leves de aparência, mas com a parte interna totalmente preservada e sem defeitos graves.
Sem irrigação, 96,75% dos frutos do nível 1 foram enquadrados nessa categoria. No nível 2, o percentual foi de 90,00% e, no nível 3, de 85,50%.
Com irrigação, os percentuais foram de 82,50% nos níveis 1 e 2 e de 89,25% no nível 3.
Os autores explicam que os menores níveis de insumos também envolviam menor frequência de aplicação dos defensivos alternativos, favorecendo maior ocorrência de danos superficiais. Mesmo assim, esses frutos mantinham a parte interna preservada e, pelos critérios adotados no estudo, permaneciam comercializáveis como produtos orgânicos.
Produtividade e aparência dos frutos responderam de formas diferentes ao manejo
Os resultados mostram que intensificar o manejo não produziu a mesma resposta para todas as características do maracujá orgânico.
A combinação de maior nível de insumos com irrigação favoreceu a produtividade. O nível 3 também aumentou o número de frutos por planta no segundo ciclo.
Por outro lado, níveis 2 e 3 sem irrigação proporcionaram maiores teores de sólidos solúveis, enquanto níveis 1 e 2 sem irrigação aumentaram o percentual de frutos enquadrados na categoria orgânica definida pelos pesquisadores.
Acidez, relação entre sólidos solúveis e acidez e percentual de frutos classificados como Extra não foram alterados significativamente. Em média, 33,67% dos frutos foram classificados como Extra, e a maior parte dos frutos ficou nas classes de tamanho 3 e 4.
Assim, o estudo evidencia uma relação de compromisso entre intensidade do manejo, produtividade e algumas características dos frutos, mostrando que a escolha do nível de insumos depende do objetivo produtivo dentro do sistema orgânico.
Perguntas que este estudo ajuda a responder
Qual tratamento apresentou maior produtividade de maracujá orgânico?
A combinação do nível 3 de insumos com irrigação apresentou a maior produtividade na análise conjunta, alcançando 17.399,21 kg/ha. O nível 3 envolveu as maiores doses de composto, calcário, termofosfato e sulfato de potássio, além da aplicação semanal dos defensivos alternativos durante o segundo ano.
Quanto produziu o maracujá sem irrigação e com baixo nível de insumos?
O nível 1 sem irrigação apresentou produtividade total de 6.945,26 kg/ha. Na análise por contrastes, a média geral dos tratamentos sem irrigação foi de 11.106,37 kg/ha, enquanto os tratamentos irrigados apresentaram 13.641,08 kg/ha. Por isso, é importante distinguir o tratamento específico da média dos grupos comparados.
A irrigação sozinha aumentou significativamente a produtividade?
Quando a irrigação foi analisada isoladamente em cada ciclo, não houve diferença estatisticamente significativa no número de frutos, massa média ou produtividade. Entretanto, na análise da produtividade total por contrastes, a associação entre irrigação e níveis elevados de insumos apresentou maior produtividade. Assim, o principal resultado do estudo está na combinação entre manejo de insumos e disponibilidade de água.
Qual tratamento deixou o maracujá com maior teor de sólidos solúveis?
Os valores variaram entre 16,5 e 17,5 °Brix. Sem irrigação, os níveis 2 e 3 apresentaram 17,25 °Brix, valor superior aos 16,5 °Brix do nível 1. Com irrigação, o nível 1 apresentou 17,5 °Brix e os níveis 2 e 3, 16,75 °Brix, sem diferença estatística entre os níveis nessa condição.
Mais insumos melhoraram todas as características dos frutos?
Não. O maior nível de insumos associado à irrigação favoreceu a produtividade, e o nível 3 aumentou o número de frutos no segundo ciclo. Entretanto, acidez, relação entre sólidos solúveis e acidez e percentual de frutos Extra não foram significativamente alterados. Além disso, os maiores percentuais de frutos classificados na categoria orgânica ocorreram sem irrigação nos níveis 1 e 2, mostrando que as diferentes características responderam de maneiras distintas ao manejo.
Sobre o estudo original
- Título científico
- PRODUTIVIDADE E QUALIDADE DE MARACUJÁ EM CULTIVO ORGANICO COMBINADO COM NIVEIS DE INSUMOS E IRRIGAÇÃO
- Autores
- THAYS LEMOS UCHOA (Universidade Federal do Acre); SEBASTIÃO ELVIRO DE ARAÚJO NETO (Universidade Federal do Acre); WAGNER DE MOURA FRANCISCO (Universidade Federal do Acre); LUÍS GUSTAVO DE SOUZA E SOUZA (Universidade Federal do Acre); NILCILÉIA MENDES DA SILVA (Universidade Federal do Acre)
- Revista
- Revista Caatinga
- Publicado em
- 16/04/2021
- DOI
- 10.1590/1983-21252021v34n115rc
Fonte e atribuição
Esta página é uma explicação editorial original do estudo científico identificado acima e não substitui a leitura do trabalho original. Os dados, resultados e conclusões apresentados têm como fonte o artigo original, que permanece vinculado pelo DOI e/ou pela página da publicação.
