Tomate orgânico teve 50% mais vitamina C e maior intenção de compra

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O tomate orgânico apresenta diferenças de qualidade em relação aos tomates convencional e de manejo integrado?

Este conteúdo foi elaborado com base no artigo científico “Qualidade pós-colheita e aceitação sensorial de tomates italianos produzidos sob manejos orgânico, integrado e convencional”, publicado na revista Horticultura Brasileira em 20/12/2021.

Conclusão principal

O tomate orgânico apresentou diferenças físicas e bioquímicas em relação aos sistemas convencional e integrado Hightech. Os frutos orgânicos tiveram 19,40 mg de vitamina C por 100 g, diante de 11,96 mg/100 g no convencional, além de maior largura, espessura do pericarpo e glicose. Na avaliação com 105 participantes, não houve diferença estatística na aceitação sensorial entre os manejos, mas 42% preferiram o tomate orgânico e 70% afirmaram que comprariam esses frutos.

Principais resultados e informações do estudo em resumo

  • Tomates orgânicos apresentaram 19,40 mg/100 g de vitamina C, ante 11,96 mg/100 g no convencional
  • a massa fresca foi de 141,48 g no orgânico e 93,10 g no convencional
  • o pericarpo apresentou 9,22 mm no orgânico e 6,00 mm no convencional
  • a glicose foi de 1,85 g/100 g no orgânico e 0,06 g/100 g nos outros dois manejos
  • não houve diferença na aceitação sensorial
  • 42% dos participantes preferiram os tomates orgânicos
  • 70% demonstraram intenção de comprá-los

O estudo comparou tomates produzidos em três sistemas de manejo

A pesquisa avaliou a qualidade do tomate orgânico em comparação com frutos produzidos sob manejo convencional e integrado Hightech. Em todos os sistemas foi utilizada a cultivar italiana Grazianni, enxertada sobre a cultivar Emperador.

Os tomates orgânicos foram produzidos em duas propriedades certificadas localizadas em Uraí e São Jerônimo da Serra, no Paraná. O cultivo convencional ocorreu em uma propriedade de Uraí, enquanto o sistema integrado Hightech foi conduzido na Fazenda Flor do Café, em Londrina.

Os pesquisadores avaliaram características físicas, composição bioquímica, firmeza e capacidade antioxidante dos frutos. Além disso, 105 consumidores e profissionais de gastronomia participaram de testes de aceitação, preferência e intenção de compra.

Características físicas, bioquímicas e sensoriais foram avaliadas separadamente

O delineamento utilizado para a avaliação dos frutos considerou os três sistemas de produção — orgânico, integrado e convencional — com seis repetições.

Os frutos foram colhidos no início da mudança de coloração e armazenados a 25 °C até atingirem maturação totalmente vermelha, padronizando o estágio utilizado nas análises.

Entre as características físicas foram avaliados comprimento, largura, massa fresca, volume, densidade, espessura do pericarpo e firmeza. As análises bioquímicas incluíram acidez titulável, glicose, frutose, sólidos solúveis, vitamina C, licopeno, betacaroteno e capacidade antioxidante.

A avaliação sensorial foi realizada com 105 participantes. Foram analisados tamanho, formato, cor, aroma, sabor, textura e aceitação global. Também foram avaliadas a preferência entre os três tipos de tomate e a intenção de compra.

Tomates orgânicos foram maiores e apresentaram pericarpo mais espesso

Os tomates orgânicos apresentaram largura média de 55,62 mm, superior aos 51,50 mm do manejo integrado e aos 51,15 mm do convencional.

A massa fresca foi de 141,48 g no sistema orgânico, 110,30 g no integrado e 93,10 g no convencional. Estatisticamente, orgânico e integrado não diferiram entre si, mas o orgânico apresentou valor superior ao convencional.

Uma diferença expressiva apareceu na espessura do pericarpo. Os frutos orgânicos apresentaram 9,22 mm, seguidos pelos integrados, com 7,46 mm, e pelos convencionais, com 6,00 mm. Os três valores diferiram estatisticamente.

Para comprimento e densidade, entretanto, não foram encontradas diferenças significativas entre os sistemas de produção.

Vitamina C e glicose apresentaram valores maiores nos tomates orgânicos

A vitamina C foi uma das características que mais diferenciou o tomate orgânico. Os frutos desse sistema apresentaram 19,40 mg/100 g, enquanto os integrados tiveram 12,33 mg/100 g e os convencionais, 11,96 mg/100 g.

Isso significa que o valor observado no tomate orgânico foi aproximadamente 62% superior ao convencional nas condições avaliadas.

A diferença na glicose foi ainda maior. Os tomates orgânicos apresentaram 1,85 g/100 g, enquanto tanto os integrados quanto os convencionais apresentaram 0,06 g/100 g. O artigo informa que a concentração de glicose nos frutos orgânicos foi 96,8% maior em comparação aos demais manejos.

Para frutose, orgânico e integrado apresentaram os maiores valores, com 1,92 e 1,85 g/100 g, respectivamente, enquanto o convencional apresentou 1,55 g/100 g.

Cada sistema apresentou vantagem em diferentes compostos dos frutos

Os resultados não mostraram superioridade do sistema orgânico em todas as características analisadas. O maior teor de betacaroteno foi encontrado no manejo integrado, com 8,38 µg/100 g. O convencional apresentou 4,39 µg/100 g e o orgânico, 2,86 µg/100 g.

Para licopeno, os maiores valores ocorreram nos sistemas convencional e orgânico, com 6,56 e 6,34 µg/100 g, respectivamente. O integrado apresentou 5,43 µg/100 g.

A acidez titulável também foi maior no tomate convencional, atingindo 1,22% de ácido cítrico, enquanto orgânico e integrado apresentaram 0,26% e 0,22%, respectivamente.

Não foram encontradas diferenças significativas para sólidos solúveis, relação entre sólidos solúveis e acidez e capacidade antioxidante medida pelos métodos FRAP e DPPH.

Tomates orgânicos foram mais firmes no teste de compressão

A firmeza foi analisada utilizando testes de perfuração e compressão. No teste de perfuração, os tomates do manejo integrado apresentaram maior resistência à ruptura do exocarpo, exigindo força de 0,118 N.

Os tomates orgânicos apresentaram valor intermediário de 0,088 N, enquanto os convencionais necessitaram de 0,062 N para romper o exocarpo.

No teste de compressão, entretanto, os tomates orgânicos apresentaram a maior firmeza. Foram necessários 7,09 N para provocar deformação de 2 mm na superfície dos frutos orgânicos. Para os integrados foram necessários 6,08 N e, para os convencionais, 3,83 N.

Assim, a resposta variou conforme o método de avaliação, mas os frutos convencionais apresentaram menor firmeza nos testes realizados.

Os consumidores não perceberam diferença significativa na aceitação sensorial

Apesar das diferenças físicas e bioquímicas identificadas em laboratório, os resultados dos testes sensoriais não mostraram diferença significativa na aceitação dos tomates produzidos nos três sistemas.

Os 105 participantes avaliaram características relacionadas ao tamanho, formato, cor, aroma, sabor, textura e aceitação global.

O resultado indica que as diferenças mensuradas instrumentalmente não foram suficientemente expressivas para produzir diferenças estatísticas na aceitação sensorial.

Isso é importante porque uma composição bioquímica ou característica física diferente não significa necessariamente que o consumidor perceberá essa diferença durante o consumo. Os autores concluem que os sistemas de manejo afetaram principalmente as características físicas e bioquímicas dos tomates.

Preferência e intenção de compra favoreceram os tomates orgânicos

Embora não tenha ocorrido diferença estatística na aceitação sensorial, os resultados de preferência mostraram maior escolha pelos tomates orgânicos. Entre os participantes, 42% preferiram os frutos orgânicos, 30% escolheram os produzidos no manejo integrado e 22% preferiram os convencionais.

A aparência foi a característica mais apreciada nos tomates orgânicos. Nos frutos dos sistemas integrado e convencional, o sabor foi o atributo mais valorizado.

A intenção de compra também foi maior para o tomate orgânico: 70% dos participantes afirmaram que comprariam esses frutos. Para os tomates do manejo integrado, esse percentual foi de 54%, e para os convencionais, de 53%.

Portanto, o estudo encontrou diferenças físicas e bioquímicas entre os sistemas e maior preferência e intenção de compra pelos frutos orgânicos, embora a aceitação sensorial média não tenha apresentado diferença estatística.

Perguntas que este estudo ajuda a responder

O tomate orgânico apresentou mais vitamina C?

Sim. Os tomates orgânicos apresentaram 19,40 mg de vitamina C por 100 g. Os frutos do manejo integrado apresentaram 12,33 mg/100 g e os convencionais, 11,96 mg/100 g. Portanto, nas condições avaliadas, o teor observado nos tomates orgânicos foi aproximadamente 62% superior ao encontrado nos convencionais.

Os consumidores perceberam diferença no sabor ou na aceitação dos tomates?

Não houve diferença estatisticamente significativa na aceitação sensorial dos tomates produzidos nos sistemas orgânico, integrado e convencional. Isso ocorreu apesar das diferenças encontradas nas análises físicas e bioquímicas. Portanto, os resultados laboratoriais distintos não se traduziram em diferença significativa na avaliação sensorial feita pelos 105 participantes.

Qual tomate foi o preferido pelos consumidores?

O tomate orgânico apresentou a maior preferência: 42% dos participantes o escolheram. O tomate produzido no manejo integrado foi preferido por 30% e o convencional por 22%. A aparência foi o atributo mais apreciado nos frutos orgânicos, enquanto o sabor se destacou nos tomates dos sistemas integrado e convencional.

Qual sistema apresentou tomates mais firmes?

O resultado dependeu do teste utilizado. Na perfuração, o tomate integrado apresentou maior resistência à ruptura do exocarpo, com 0,118 N, seguido pelo orgânico, com 0,088 N, e pelo convencional, com 0,062 N. Na compressão, o orgânico apresentou maior firmeza, exigindo 7,09 N para deformação de 2 mm, diante de 6,08 N no integrado e 3,83 N no convencional.

Os consumidores demonstraram maior intenção de comprar tomate orgânico?

Sim. No teste realizado, 70% dos participantes declararam intenção de comprar os tomates orgânicos. Para os frutos produzidos no manejo integrado, o percentual foi de 54%, enquanto 53% demonstraram intenção de comprar os tomates convencionais. O resultado indica maior intenção de compra do produto orgânico entre os participantes do estudo, embora a aceitação sensorial média não tenha diferido entre os sistemas.

Sobre o estudo original

Título científico
Qualidade pós-colheita e aceitação sensorial de tomates italianos produzidos sob manejos orgânico, integrado e convencional
Autores
Silas Mian (Universidade Estadual de Londrina); Leonel Vinicius Constantino (Universidade Estadual de Londrina); Maria Paula Nunes (Universidade Estadual de Londrina); Mauricio U Ventura (Universidade Estadual de Londrina); Wilma A Spinosa (Universidade Estadual de Londrina); Natalia NY Hata (Universidade Estadual de Londrina); Felipe A Spagnuolo (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná); Claudia Oliveira (Centro Universitário Filadélfia); Leandro SA Gonçalves (Universidade Estadual de Londrina)
Revista
Horticultura Brasileira
Publicado em
20/12/2021
DOI
10.1590/s0102-0536-20210411

Fonte e atribuição

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