Batata orgânica em ambiente protegido produziu até 12,92 t/ha comercializáveis no Cerrado

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O ambiente protegido pode aumentar a produtividade da batata orgânica no Cerrado?

Este conteúdo foi elaborado com base no artigo científico “Genótipos de batata e ambientes em sistema orgânico de produção no bioma Cerrado Brasileiro”, publicado na revista Ciência Rural em 29/10/2021.

Conclusão principal

A batata orgânica em ambiente protegido apresentou melhor desempenho produtivo que o cultivo a campo aberto nas condições avaliadas em Hidrolândia-GO. A produtividade comercial média passou de 4,71 t/ha no campo para 8,14 t/ha no ambiente protegido. BRSIPR Bel e BRS Ana foram os genótipos de maior potencial produtivo, alcançando 12,92 e 12,74 t/ha de produtividade comercial no ambiente protegido.

Principais resultados e informações do estudo em resumo

  • Cinco genótipos foram avaliados em sistema orgânico consolidado havia 14 anos
  • a produtividade comercial média foi de 8,14 t/ha em ambiente protegido e 4,71 t/ha a campo aberto
  • BRSIPR Bel produziu 12,92 t/ha comercializáveis no ambiente protegido
  • BRS Ana alcançou 12,74 t/ha
  • BRSIPR Bel apresentou 11,39 tubérculos por planta
  • emergência precoce e número de hastes tiveram correlação positiva com produtividade
  • o ambiente protegido proporcionou maior número e massa de tubérculos e menos defeitos
  • BRSIPR Bel e BRS Ana apresentaram alto potencial para produção orgânica

Cinco genótipos foram comparados em campo aberto e ambiente protegido

O estudo avaliou a batata orgânica em ambiente protegido e a campo aberto no bioma Cerrado. Os dois experimentos foram conduzidos em Hidrolândia, Goiás, em áreas mantidas sob sistema orgânico havia 14 anos.

Foram comparados cinco genótipos: Agata, Atlantic, BRS Ana, BRSIPR Bel e BRS Clara. Agata e BRS Clara são indicadas para cozimento, Atlantic e BRSIPR Bel para fritura, enquanto BRS Ana apresenta aptidão tanto para cozimento quanto para fritura.

O experimento utilizou blocos casualizados com quatro repetições. O plantio foi realizado em abril, com espaçamento de 1 m entre linhas e 0,33 m entre plantas.

A adubação no sulco utilizou 1 kg de esterco de galinha e 1 kg de húmus de minhoca por metro. Não houve adubação de cobertura nem manejo de pragas e doenças durante os experimentos.

O cultivo protegido apresentou produtividade comercial 73% maior na média dos genótipos

A produtividade total média dos cinco genótipos foi de 9,01 t/ha no ambiente protegido e 6,12 t/ha no campo aberto. Para a produtividade comercial, a diferença foi ainda maior: 8,14 t/ha no cultivo protegido contra 4,71 t/ha no campo.

Isso representa produtividade comercial aproximadamente 73% maior no ambiente protegido nas condições avaliadas.

A massa de tubérculos comerciais também aumentou. A média passou de 0,15 kg por planta no campo aberto para 0,26 kg por planta no ambiente protegido.

Além disso, o número médio de tubérculos comercializáveis aumentou de 4,37 para 6,12 por planta. O número de tubérculos não comerciais apresentou comportamento contrário, diminuindo de 1,25 no campo aberto para 0,64 no ambiente protegido.

BRSIPR Bel e BRS Ana foram os genótipos mais produtivos

BRSIPR Bel apresentou produtividade total média de 11,72 t/ha e produtividade comercial de 10,38 t/ha considerando os dois ambientes. BRS Ana atingiu valores semelhantes, com 12,25 t/ha de produtividade total e 10,06 t/ha comercial.

No ambiente protegido, BRSIPR Bel alcançou 13,38 t/ha de produtividade total e 12,92 t/ha comercial. BRS Ana apresentou 13,71 e 12,74 t/ha, respectivamente.

No campo aberto, BRSIPR Bel produziu 10,06 t/ha no total e 7,84 t/ha comercializáveis. BRS Ana atingiu 10,79 t/ha no total e 7,38 t/ha comercializáveis.

Agata e Atlantic apresentaram os menores valores médios de produtividade total, com 2,82 e 3,58 t/ha, respectivamente. Os autores destacaram BRSIPR Bel e BRS Ana como os genótipos de maior potencial produtivo no sistema orgânico.

O ambiente protegido favoreceu a formação e o crescimento dos tubérculos

Os tubérculos produzidos no ambiente protegido apresentaram maior número, maior massa e menos defeitos em comparação com aqueles obtidos no campo aberto.

Os autores relacionam esse desempenho às condições ambientais durante a tuberização e o crescimento dos tubérculos. O ambiente protegido apresentou temperaturas máximas menores e maior umidade relativa em momentos importantes do desenvolvimento da cultura.

No campo aberto, as plantas apresentaram crescimento menos vigoroso. Durante as semanas avaliadas, as temperaturas máximas chegaram a ultrapassar 40 °C em diferentes momentos, atingindo 43,60 °C na sexta semana após o plantio.

No ambiente protegido, as máximas foram menores, chegando a 35,16 °C nessa mesma semana. Segundo a interpretação apresentada no estudo, essas diferenças ambientais contribuíram para o melhor desempenho produtivo observado no cultivo protegido.

Emergência precoce e maior número de hastes estiveram associados à produtividade

Todas as cultivares começaram a emergir 12 dias após o plantio nos dois ambientes. BRSIPR Bel se destacou pela precocidade no ambiente protegido, atingindo 94% de emergência nessa primeira avaliação.

A emergência aos 12 dias apresentou correlação de 0,809 com a produtividade total e de 0,798 com a produtividade comercial.

O número de hastes também esteve relacionado ao desempenho produtivo. Aos 35 dias, a correlação foi de 0,811 com a produtividade total e 0,761 com a comercial. Aos 50 dias, esses valores foram de 0,848 e 0,788, respectivamente.

BRSIPR Bel e BRS Ana apresentaram os maiores números de hastes. Aos 50 dias, as médias foram de 6,35 hastes por planta para BRSIPR Bel e 5,97 para BRS Ana.

BRSIPR Bel produziu o maior número de tubérculos por planta

BRSIPR Bel apresentou média de 11,39 tubérculos por planta, o maior valor entre os cinco genótipos. BRS Ana ficou em seguida, com 8,39 tubérculos por planta.

A diferença foi expressiva em comparação com Agata e Atlantic, que apresentaram 3,90 e 3,14 tubérculos por planta, respectivamente.

Considerando somente os tubérculos comerciais, BRSIPR Bel também liderou, com média de 9,93 unidades por planta. BRS Ana apresentou 6,61, enquanto Agata, Atlantic e BRS Clara registraram 3,42, 2,79 e 3,44 tubérculos comerciais por planta.

Os autores relacionam o alto potencial produtivo de BRSIPR Bel ao elevado número de tubérculos produzidos e ao bom desempenho da massa comercial.

O ambiente protegido reduziu alguns problemas, mas favoreceu a ocorrência de nematoides

O cultivo protegido não eliminou os problemas fitossanitários. A incidência de nematoides ocorreu somente nesse ambiente, atingindo média de 13,56%, enquanto nenhum caso foi registrado no campo aberto.

A área protegida já apresentava histórico de ocorrência de Meloidogyne incognita e M. javanica. BRS Ana apresentou 13,71% de incidência de danos associados a nematoides e BRSIPR Bel, 12,15%.

Por outro lado, o esverdeamento dos tubérculos foi maior no campo aberto, com média de 11,46%, diante de 7,78% no ambiente protegido. BRS Ana apresentou a maior incidência desse defeito entre os genótipos, com 18,61%.

BRS Clara apresentou os maiores índices relacionados a rachaduras de crescimento, com 9,67%. Não foram detectados defeitos associados à rizoctoniose nem danos de larvas de Diabrotica nos tubérculos avaliados.

O cultivo protegido foi considerado mais adequado para pequenas áreas de produção orgânica

Os resultados mostraram que a batata orgânica em ambiente protegido apresentou melhor desempenho nas condições estudadas, principalmente por proporcionar maior número e massa de tubérculos e maior produtividade comercial.

BRS Ana e BRSIPR Bel foram os principais destaques produtivos. No ambiente protegido, ambos ultrapassaram 12,7 t/ha de produtividade comercial, enquanto Agata e Atlantic permaneceram abaixo de 3,4 t/ha.

Os autores também destacam que padrões comerciais desenvolvidos principalmente para a produção convencional não necessariamente representam adequadamente o mercado orgânico, no qual características como segurança dos alimentos, sustentabilidade e diversidade podem ter maior importância para os consumidores.

A conclusão do estudo é específica para pequenas áreas e para as condições avaliadas no Cerrado. Os autores consideram o ambiente protegido o mais adequado entre os dois sistemas testados e apontam BRSIPR Bel e BRS Ana como genótipos de elevado potencial produtivo para o cultivo orgânico.

Perguntas que este estudo ajuda a responder

Quanto a batata orgânica produziu em ambiente protegido?

Considerando os cinco genótipos, a produtividade total média foi de 9,01 t/ha e a produtividade comercial média de 8,14 t/ha no ambiente protegido. No campo aberto, esses valores foram de 6,12 e 4,71 t/ha, respectivamente. Assim, o ambiente protegido apresentou produtividade comercial média aproximadamente 73% superior nas condições do experimento.

Quais genótipos foram mais produtivos no sistema orgânico?

BRSIPR Bel e BRS Ana apresentaram os melhores resultados. No ambiente protegido, BRSIPR Bel alcançou 13,38 t/ha de produtividade total e 12,92 t/ha comercial, enquanto BRS Ana atingiu 13,71 e 12,74 t/ha, respectivamente. Os autores concluíram que ambos possuem elevado potencial produtivo em sistema orgânico.

Por que o ambiente protegido apresentou maior produtividade?

Os autores relacionam o melhor desempenho principalmente às condições durante a tuberização e o crescimento dos tubérculos. O ambiente protegido apresentou temperaturas máximas menores e maior umidade relativa, e as plantas tiveram crescimento mais vigoroso. Nesse ambiente foram observados maior número e massa de tubérculos e menor ocorrência de alguns defeitos em comparação com o campo aberto.

Qual genótipo produziu mais tubérculos por planta?

BRSIPR Bel apresentou a maior média, com 11,39 tubérculos por planta, dos quais 9,93 eram comerciais. BRS Ana apresentou 8,39 tubérculos por planta e 6,61 comerciais. Em comparação, Atlantic apresentou apenas 3,14 tubérculos por planta e Agata, 3,90.

O ambiente protegido eliminou os problemas fitossanitários da batata orgânica?

Não. Embora tenha apresentado melhor desempenho produtivo, o ambiente protegido registrou 13,56% de incidência média de danos associados a nematoides, problema não observado no campo aberto. A área já apresentava histórico de Meloidogyne incognita e M. javanica. Por outro lado, o esverdeamento dos tubérculos foi maior no campo aberto, mostrando que os dois ambientes apresentaram diferentes limitações.

Sobre o estudo original

Título científico
Genótipos de batata e ambientes em sistema orgânico de produção no bioma Cerrado Brasileiro
Autores
Aniela Pilar Campos de Melo (Instituto Federal Goiano (IFGoiano)); Paulo Marçal Fernandes (Universidade Federal de Goiás (UFG)); Carlos de Melo e Silva-Neto (Instituto Federal de Goiás (IFG)); Eli Regina Barboza de Souza (Universidade Federal de Goiás (UFG)); Ariane Carla Campos de Melo (Universidade de São Paulo (USP)); Alexsander Seleguini (Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM))
Revista
Ciência Rural
Publicado em
29/10/2021
DOI
10.1590/0103-8478cr20210093

Fonte e atribuição

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